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19/11/2004 14:12
Eu não quero ficar tocando muito nesse assunto, porque já passou.
Mas tenho que registrá-lo de alguma maneira, para q saia da minha cabeça. Vou fazer como faço com todo o resto. Escrever e deletar da cabeça.
Ontem, depois de buscar o Pacotinho na creche, voltamos andando para casa como fazemos na maioria das vezes.
Eu andando e o Pacotinho em seu carrinho. Dá uns 10 minutos de caminhada de casa até lá e vice-versa.
Faltando quase 1 quadra da minha casa, pela Av. Maracanã, cujo prédio eu já avistava, nós quase fomos atropelados.
Eu estava andando bem rente ao meio fio. O carro veio pela Mal. Trompovski e numa de não dar a volta para chegar em casa (eu imagino) o homem, um senhor, entrou pela contramão e bem pelo cantinho vindo em nossa direção.
Eu estava passando por um trecho, onde o poste estava c/ a luz queimada e bem ao meu lado, na calçada, havia outro carro estacionado.
Minha primeira reação ao notar q o sujeito não nos viu foi gritar: "CARAAAALHO!!!!!!!"
Ele simplesmente não ouviu. E só parou, porque ouviu o som da roda do carrinho do Pacotinho se quebrando.
Eu não tinha como correr ou jogar o carrinho p/ a calçada pois havia um carro estacionado do nosso lado.
Eu não podia entrar na frente para salvar meu filho, caso o pior acontecesse.
Infelizmente, se o pior acontecesse, eu estaria viva e sem um arranhão.
E meu Pacotinho? Como ele estaria agora?
O encosto do carrinho deitou c/ o impacto, o q deu um baita susto no Pacotinho q danou a chorar aos berros.
Eu fiquei atônita c/ a situação e fiquei passando meu olho de Raio-X por todo o corpinho dele, afim de identificar algum machucado, osso deslocado, qualquer coisa.
Graças à Deus misericordioso, nada.
Peguei ele no colo e o abracei. Comecei a chorar imediatamente, porque vi q estava tudo bem. Gratidão sabe?
Ele parou.
Nisso, o homem desesperado já estava do lado de fora do carro, igualmente desesperado, pedindo perdão, me segurando, beijando minha cabeça e me chamando de filha.
Eu pedi q ele me soltasse e só pensava em sair dali.
Trocamos telefones apressadamente. Ele implorou q eu dissesse o que queria.
Eu nem tinha forças para xingar, mandar ele se foder, dar esporro (talvez como o Engraçadão faria, aliás é a especialidade dele!), anotar número de placa, ameaçar de processo... Eu disse mecânicamente q queria outro carrinho, doida p/ ele me deixar em paz.
Atravessei o cruzamento equilibrando o carrinho em 3 rodas e chorando muito.
O Pacotinho falava o tempo todo: "Cau feio", "Ti foi mamãe??" e "Sustô. Mamãe sustô!"
O coroa retardado teve a audácia de dizer que sempre fez isso e que nunca tinha acontecido nada.
Vejam bem. Eu nem estou entrando no mérito da imprudência, da cara de pau, da má educação do brasileiro.
Em pleno dia de semana, hora do rush, o cara entra na contramão, onde pessoas fazem jogging, levam seus cachorros p/ passear, andam c/ seus filhos em carrinhos... fora os carros habituais na rua nesse horário. E a besta quadrada tem a coragem de dizer q sempre fez isso.
Eu ainda estou abalada.
Mas aquele abestado vai me dar um carrinho novo. Isso compensa? Claro q não. Se eu não tivesse pressa de outro carrinho, ele ia ver o q é bom p/ o bolso.
E ele q não me venha com história de comprar outro no supermercado, nem em Lojas Americanas.
Hoje, às 20h, ele será apresentado a Suca Bambino.
Deus me dê forças p/ não sentir pena dele!
Meus queridos, bj na bunda.
enviada por Engraçadinha
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